quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Capítulo 2

CAPÍTULO 2: Conflito Interno

            Você já teve um desses momentos em que seu mundo para? Que nada nesse mundo pode ser capaz de tirar seus olhos daquele momento? Foi aí que eu descobri que meu mundo estava indo por água abaixo.
            Quando o Sr. Somerhalder entrou porta adentro em minha sala, minha atenção se voltou única e inteiramente para ele. Seus cabelos pretos e bagunçados, seus olhos azuis cheios de vida e seu corpo estonteante me deixaram sem fôlego. Rapidamente recobrei minha postura e assumi minha personalidade profissional, não deixando – e me recusando – a aceitar este tipo de comportamento.
            Logo atrás dele, entrou um homem careca e bem arrumado, que logo presumi ser seu assessor, eu lhes indiquei a cadeira e peguei novamente a pasta que continha o caso.
            - Boa tarde senhores, meu nome é Ellen, sou a advogada que lhes indicaram.
            - Boa tarde Ellen, sou o Ian e este é o meu assessor Matt, espero que você seja tão boa quanto me informaram. Não estou disposto a perder minhas coisas para minha ex mulher.
            - Segundo relato que tenho aqui, o senhor não quer abrir mão de uma casa de praia em Santa Mônica, um loft em Eureka e uma fazenda em Geórgia. Quais seus interesses nessas áreas?
            - Olha Srta. Ellen, eu cresci com minha mãe Edna, e me lembro de uma viagem que fizemos logo após a separação dos meus pais. Durante esta viagem, me apaixonei por Santa Mônica, e lembro-me de ter passado na frente desta casa durante meus passeios pela areia com minha mãe. Esta casa sempre foi um dos meus sonhos, e só tive a sorte de comprá-la durante o casamento. Já o Loft em Eureka, é meu local de descanso, escolhi esse loft por ser em um local menor e com menos habitantes comparado aonde eu moro, e pretendo torná-la minha residência fixa após a separação, já que a nossa casa atual ficará com minha ex esposa. E a fazenda em Geórgia é onde abrigo e disponho de cuidados com diversos animais, que são em sua maioria, resgatados. Tenho um pessoal de apoio lá que está sempre disposto a atender tanto aos animais quanto as arrecadações que conseguimos para a fundação, já que disponho não só da fazenda, mas também de galpões.
            - Ok, podemos usar isso na sua audiência, fora a residência atual, dois carros esportivos, dois estabelecimentos comerciais, uma casa de campo e uma casa de praia, resultando num valor total de U$ 7.345.200,00, tem mais algo que possa oferecer como barganha para conseguir as propriedades que comentamos a pouco?
            - Eu disponho de uma conta para casos de emergência no valor de U$ 4.000.000,00. Posso abrir mão de metade da conta.
            - Faremos o possível para que o senhor não abra mão de seus bens senhor Ian, minha secretária entrará em contato com o senhor durante os próximos dias informando a data de sua audiência.
            - Muito obrigado Ellen, espero que seja realmente boa como dizem.
            - Até logo Sr. Somerhalder.
            Assim o Ian deixou minha sala e também meus pensamentos confusos sobre ele. O quão errada eu estaria se seguisse meus impulsos. Ele é meu cliente, e vai ser tratado como cliente e apenas isso. Eu tenho que sufocar esses pensamentos tolos, ele é apenas uma pessoa bonita, não há nada de mais nisso. Nada que eu não possa lidar.

IAN P.O.V.
“Como posso pensar nessas coisas? A presença dela simplesmente me inebriou, me deixou aturdido, perdido, confuso e dificilmente consegui me concentrar nas coisas importantes que tínhamos que tratar.”
Matt entrou no carro e eu entrei em seguida, ainda perdido em meus pensamentos, nosso motorista nos leva para o estúdio de gravação, ainda tinha que gravar as cenas que faltavam para a série, eu entendo tão bem meu personagem, os sentimentos dele pela Elena e a adoração dele por ela, sempre achei que meu personagem fosse exagerado, cabeça dura, turrão, inconveniente, convencido e esnobe. Talvez a paixão dele por Elena fosse algo impossível de acontecer na vida real, fui trouxa em ser descrente nestas fantasias e sentimentos ocultos.
Talvez, só talvez, tudo isso não seja besteira, talvez esses sentimentos sejam reais. Bem, pelo menos estou começando a achar que são, para ter acontecido isso comigo. Aconteceu o mesmo com o Damon quando ele viu a Elena pela primeira vez, eu achava que a vida imitava a televisão, mas pelo jeito, a televisão aprendeu muita coisa com a vida.
Ao chegarmos no estúdio, peguei o script e desci do carro, ainda desligado, ainda perdido.
- Cara, o que você tem hoje?
- Não sei Matt, foi a... Foi a advogada, está bem? Ela me deixou louco.
- Estou vendo, só vi esse olhar aí em cena, nunca na sua vida. E olha que faz anos que trabalho com você hein.
- Pois é, desta vez fui pego de jeito. Eu vou dar um jeito de sair com ela. Anote minhas palavras Matt, o que o Ian quer, o Ian consegue.
- Ihhh rapaz, é melhor conter esse leão Somerhalder aí dentro, pelo jeito ela é meio osso duro de roer.
- Adoro um desafio Matt e eu vou conquistar ela, você vai ver.

- Está bem Dom Juan, agora você precisa ficar mais famoso do que já é.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Encontro ao Acaso - por Rebeca Damaceno

Encontro ao Acaso
Por: Rebeca Damaceno
CAPÍTULO 1: A Teoria do Caos
            Certamente vocês que estão do outro lado da tela desse computador já ouviram falar da “Teoria do Caos” não é mesmo? Essa é com toda a certeza a teoria mais louca e possível – e também uma das mais importantes – do nosso universo.
            Para quem não conhece, esta teoria se baseia em como uma mínima ação, por mais inferior e quase nula que seja, pode influenciar no nosso futuro, mudando ele mínima ou drasticamente. Essa teoria foi iniciada por Edward Lorenz, então devo praguejar à Lorenz por estar estupidamente certo.
            Aqui estou eu, prestes a virar meu mundo de cabeça para baixo por ter comprado uma passagem, e não é apenas uma passagem qualquer, é uma passagem para uma nova vida em Los Angeles na Califórnia.
Eu me chamo Ellen, sou uma advogada de renome internacional, e no início deste verão fui convidada pela firma de advocacia Jones Day para fazer parte de sua equipe. Sendo um passo importante para minha carreira, decidi aceitar essa oferta, e exceder meus limites, indo expandir meu trabalho.
Uma breve “ficha técnica” sobre mim: Meu nome é Ellen Krüger, tenho 35 anos de idade, sou uma pessoa totalmente cética, séria e profissional. Não tenho filhos e meu senso de humor para piadas é totalmente escasso. Sou naturalmente ruiva e tenho olhos azuis, tenho 1.65 de altura, peso 68 quilos. Cuido muito do meu corpo e sou bem vaidosa. Traduzindo, eu sou extremamente chata e irresistivelmente bonita.
Nunca me casei por que sempre achei isso totalmente desnecessário, como sou advogada, eu vivo representando pessoas para divisão de bens em audiências de separação. Então eu sei muito bem como casamentos não dão certo.
Como eu estava de mudança e já esperando meu vôo na sala de embarque, decidi tomar um café na Starbucks enquanto lia um de meus livros.
Após um tempo, recebi um telefonema da firma, minha sala estava toda pronta e reformada, e me assegurei que tudo estivesse minimamente organizado para que quando eu chegasse já começasse a atuar na empresa. Quando olhei no visor do celular e vi que era a Anne, minha secretária da firma, me ligando, não hesitei em atender.
- Olá Anne, o que tem para mim hoje?
- Desculpe incomodá-la Sra. Krüger, mas chegou um caso urgente para a senhora aqui na firma, e a audiência com o cliente foi marcada para amanhã as duas horas da tarde.
- Anne, poderia remarcá-la para sexta, por favor?
- Senhora, não poderei mesmo fazer isto, quem encaminhou o caso diretamente a você foi o Sr. Leger, e se trata de um cliente famoso minha senhora.
- Ok Anne, me passe o caso por e-mail por favor, lerei ele durante o vôo e amanhã atenderei ele.
- Sim senhora, acabei de encaminhar o caso.
- Obrigada Anne.
Assim que desliguei o telefone abri o notebook e comecei a estudar o caso, alguns minutos depois meu avião chegou e embarquei, durante o vôo estava tentando me lembrar de onde eu conhecia o nome do meu cliente, mas minhas tentativas foram em vão. Decidi perguntar a aeromoça se ela o conhecia.
- Moça, por gentileza, a senhora conhece alguma celebridade com o nome de Ian Joseph Somerhalder?
- Sim Sra. Krüger, ele é um ator de televisão, participa de um seriado chamado “The Vampire Diares”.
- Obrigada.
- Mais alguma coisa senhora?
- Não, muito obrigada.
Então o cliente era ator? Que coisa maravilhosa, isso significa que teria de estar extremamente afiada sobre o caso e teria menos de um dia para estudá-lo. Afinal, atores mentem como se fossem verdades.
Assim que desembarquei em Los Angeles e cheguei em meu apartamento, me arrumei, pedi comida chinesa e fiquei boa parte da noite estudando o caso do Sr. Somerhalder, aparentemente eram apenas conflitos sobre divisão de bens em uma separação, porém ele não aceitava abrir mão de alguns bens em prol da ex esposa, até aí tudo bem, eu tinha experiência com casos desta área, não achava nenhuma dificuldade nisto, apesar de algo naquilo tudo ainda estar me incomodando.
No dia seguinte quando cheguei na firma, Anne já correu me trazendo um café, o caso todo impresso e alguns recados. Quando deu duas horas em ponto Anne voltou a bater na porta da minha sala.
- Entre.
- Senhora, o Sr. Somerhalder já chegou e vai entrar acompanhado com o assessor.
- Pode pedir para entrarem Anne.